Giras de Umbanda: O Que São, Tipos e Como Funcionam as Sessões

A gira é o coração da vida espiritual nos terreiros de Umbanda. É o momento sagrado em que a comunidade se reúne para cultuar os Orixás, receber as entidades de luz e praticar a caridade por meio de passes, consultas e orações. Se você está começando a conhecer a religião, entender o que é uma gira, como ela se estrutura e quais os seus tipos é essencial para se sentir acolhido e preparado para participar. Neste artigo, vamos explorar cada aspecto desse encontro único, onde o divino e o humano se tocam.

O que é uma gira e qual a sua estrutura típica?

Uma gira é uma sessão espiritual conduzida por um dirigente (pai ou mãe de santo) e seus médiuns, dentro de um terreiro. Ela segue um ritual que pode variar de casa para casa, mas geralmente inclui etapas bem definidas. Começa com a abertura: uma defumação do ambiente com ervas sagradas, acompanhada de pontos cantados (cânticos) que invocam a proteção dos guias. Em seguida, os médiuns entram em sintonia e ocorre a incorporação das entidades — caboclos, pretos-velhos, crianças, exus, pombagiras, entre outros. Durante a gira, essas entidades atendem os consulentes, oferecendo orientação, passes de limpeza energética e palavras de conforto. O encerramento é feito com agradecimentos e novos pontos, selando o trabalho.

Essa estrutura básica se repete tanto nas giras de direita quanto nas de esquerda, mas com diferenças importantes no tom e nas entidades que se manifestam. Para entender o contexto maior da religião, vale a pena aprender sobre a Umbanda e seus conceitos fundamentais.

Gira de direita: Orixás, Caboclos e Pretos-Velhos

A gira de direita é a mais comum e a porta de entrada para a maioria dos frequentadores. Ela é voltada para as vibrações mais elevadas e suaves: Orixás como Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Iemanjá, Iansã, Oxum, Nanã e Omulu, além de falanges de caboclos (índios sábios) e pretos-velhos (ancestrais humildes e bondosos). O ambiente é de paz, amor e caridade. Os pontos cantados são melodiosos e a incorporação é tranquila. Durante essa gira, as entidades dão passes, benzem e conversam com os filhos da casa, sempre com palavras de esperança e ensinamentos.

Participar de uma gira de direita é uma experiência que fortalece a fé e traz equilíbrio espiritual. Não é preciso ser médium para estar presente; qualquer pessoa pode assistir e receber atendimento. Para saber como se preparar e o que levar, veja nosso guia como participar de uma gira.

Gira de esquerda: Exu e Pombagira

A gira de esquerda, também chamada de linha de Exu e Pombagira, trabalha com entidades que lidam com questões mais densas: demandas espirituais, problemas graves de saúde, justiça, desafios financeiros e amorosos. Ao contrário do que muitos pensam, Exu e Pombagira não são entidades do mal; são guardiões de luz que atuam na quebra de demandas e na limpeza energética pesada. O tom da gira é mais vibrante, com pontos cantados fortes e ritmados. A incorporação é mais intensa, e os médiuns usam roupas escuras ou vermelhas.

É fundamental compreender o papel dessas entidades dentro da cosmovisão umbandista. Entenda a gira de esquerda e descubra como Exu e Pombagira atuam como agentes de transformação e proteção.

Gira de desenvolvimento mediúnico

Nem toda gira é aberta ao público. A gira de desenvolvimento mediúnico é uma sessão fechada, dedicada ao treinamento dos médiuns da casa. Nela, os médiuns aprendem a controlar a incorporação, a receber as entidades com segurança e a interpretar as mensagens. O dirigente orienta cada passo, corrige posturas e ensina a doutrina. Esse tipo de gira é essencial para formar uma corrente mediúnica forte e responsável. Os médiuns desenvolvem a mediunidade com disciplina e respeito, sempre dentro dos fundamentos da religião, que estão ligados às sete linhas de Umbanda.

Importância espiritual da gira

A gira é um ato de caridade em primeiro lugar. É o espaço onde os guias espirituais podem atuar livremente para ajudar os encarnados. Além disso, a gira fortalece os laços da comunidade: as pessoas se reúnem, cantam, oram e compartilham suas dificuldades. A energia coletiva elevada durante a gira tem um poder curativo imenso. Para o médium, é um exercício de serviço e humildade. Para o consulente, é uma oportunidade de renovar a fé e encontrar orientação para a vida. Por isso, a gira é considerada o alicerce da prática umbandista, o momento em que o terreiro se transforma em um portal entre o céu e a terra.

Se você deseja se aprofundar, recomendamos visitar nossa seção Conceitos fundamentais da Umbanda e explorar outros temas como o que é Umbanda e as Sete Linhas.

Perguntas frequentes sobre giras de Umbanda

Qual a diferença entre gira de direita e gira de esquerda?

A gira de direita trabalha com entidades de vibração mais suave (caboclos, pretos-velhos, Orixás) e tem foco em paz, amor e passes leves. A gira de esquerda é conduzida por Exu e Pombagira, lida com questões densas e utiliza uma energia mais forte e transformadora. Ambas são de luz, mas atuam em aspectos diferentes do ser humano.

Posso participar de uma gira mesmo sem ser médium?

Sim. As giras abertas são para todos os frequentadores, independente de mediunidade. Basta comparecer com respeito, roupas claras e disposição para receber a energia do ambiente. As consultas são voluntárias e gratuitas.

Preciso levar alguma oferenda para a gira?

Não é necessário. As oferendas (velas, frutas, ervas) são geralmente preparadas pela casa. O importante é levar o coração aberto. Se quiser contribuir, pergunte ao dirigente antes.

O que são “pontos cantados”?

São cânticos sagrados que invocam as entidades, contam sua história e criam a vibração correta para a gira. Eles são parte fundamental do ritual e ajudam os médiuns a entrar em sintonia.